O encontro com Margarida - O Floreiro
 
Na copa de 2002 os jogos passavam por aqui durante a madrugada, sendo muito comum a gente se reunir na casa de alguém pelas 22h e ficar fazendo festa até a hora do jogo, perto das 2h da manhã.

Assisti o primeiro jogo do Brasil na casa de uns vizinhos, amigos de infância. Lembro que assim que cheguei na casa conheci Margarida, aquela flor carismática, que estava tomando uma cerveja e fumando um cigarro. Ela me olhou e apenas deu "oi", sem se apresentar, mas me dirigindo um olhar como se esperasse que eu fizesse alguma coisa para continuar a conversa sem me limitar a repetir um "oi". Idiota, eu olhei para seu cigarro e disse: "nossa, eu não sei fumar, queria aprender". Curiosamente, ela abriu um largo sorriso e perguntou: "você tem certeza? Isso aqui vai te deixar com um mal hálito e te matar". É óbvio que no fundo eu não estava a fim de aprender a fumar, mas foi o jeito que encontrei de puxar assunto, e o curioso foi que deu certo, pois ela se apresentou e perguntou meu nome.

Apresentações feitas, fomos para o lado de fora da casa onde ela me explicou os pressupostos "técnicos" do cigarro, e o curioso é que enquanto ela me ensinava o que era tragar, acender o cigarro, ela ria... de certa forma ela entendia claramente qual era a minha real intenção, e talvez por achar aquilo tudo divertido, dava corda para aquela "aula".

De tempos em tempos começaram a surgir perguntas do tipo: "você tem namorada?" ou "você curte fumantes?". Respondia meio que na distração, tentando disfarçar que eu estava a fim, na verdade tentando esconder meu exagerado interesse e insegurança de ela de repente enjoar de mim. Quando trata de sedução, sempre é bom ter um certo mistério, um ar de "não sei", "pode ser". Embora as definições claras sejam necessárias em determinados contextos, afastam as possibilidades. Acho que se eu mostrasse um interesse exagerado, ela não acharia mais tão divertido.

Ah gente, naquela noite o beijo foi lindo, Margarida era serena, sem violência de língua, e permanecia no beijo por muito tempo... só tinha um problema: descobri o quanto o gosto de cigarro na boca pode matar o sabor do beijo. Até mesmo Margarida tinha suas pétalas desagradáveis.



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