Uma das coisas que mais a gente teme, e contraditoriamente é a o que nos dá mais segurança na sedução, são os "foras" que a gente leva: "ai, não sei...", "vamos ser só amigos?", entre outros.

Fazendo uma analogia com a arte marcial, a primeira coisa que aprendemos antes de dar os golpes é cair no chão. Isso mesmo, cair no chão: levantar, cair, levantar, cair. Quando a gente leva um fora, apesar deste carregar-nos com uma marca de rejeição ("não me quiseram"), nós fazemos um rico exercício que foi o teste da suposição, isto é: confirmei se a atração entre eu e ela (no meu caso) era de fato tão intensa a ponto de rolar aquele beijo de sair faíscas. E como dito anteriormente, se não arriscamos, temendo o fora, já o fazemos de modo antecipado: aniquilamos nossa chance enganando-nos de que "eu não estava tão a fim".

Oh tonterias, oh pressupostos da maldita segurança. Seduzir só tem sentido porque não estamos no mundo das certezas, das determinações; vivemos no meio das condições e possibilidades. Sou feio, e isso é difícil de contornar. Mas posso ser sensual, atraente, simpático, carismático. E é essa incerteza e possibilidade da vida que me permite, mesmo sendo feio, ter sucesso, viver a vida, ser feliz. Outra hora discutiremos o conceito de feiura.

Assim, da mesma forma que temos chances, ainda que quase certas, de levar um NÃO; do mesmo modo existem chances de levar o SIM, que não virá bater na nossa porta com um cartaz "por favor, eu estou louca pra ficar contigo.".

Meus caros, isso é ilusão. Os mistérios são tão prazerosos porque nos deixam em dúvida, não são nos dão respostas 100% exatas.
 


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